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Dos Valles Calchaquíes até a Puna, um percurso pela altura da mítica rodovia que conecta o país inteiro.

A Ruta 40 percorre de sul a norte, e muito perto da Cordilheira dos Andes, a enorme extensão da Argentina: mais de 5.200 km de paisagens completamente diferentes entre si. Na região Norte do país chega a seu ponto mais alto atravessando entornos belíssimos, povoados históricos, vinhedos e cenários culturais ancestrais. Em Tucumán, as Ruinas de Quilmes -uma cidade pré-hispânica sagrada que foi habitada por um povo guerreiro- e os povoados de Amaicha e Colalao del Valle; em Salta, os pitorescos povoados dos Valles Calchaquíes, a Rodovia do Vinho de Altura e a Rodovia dos Artesãos Tecelões ; e em Jujuy, os magníficos paisagens naturais e culturais da Puna.

Em solo salteño, desde Tolombón até Payogasta, “a 40” se converte na Rodovia do Vinho mais alta do mundo. Por estas terras, em bodegas tradicionais e modernas, se elabora o Torrontês, um vinho branco e frutal que deleita todos os paladares. E embora Cafayate seja a mais importante das localidades vitivinícolas e turísticas da região, também existem outras que têm um encanto especial. Cidadezinhas históricas, de casinhas de adobe e igrejas coloniais, onde o vinho se produz artesanalmente: Animaná, San Carlos e Angastaco, povoado ao que se entra depois de atravessar a imponente Quebrada de las Flechas; e Molinos. Quando chega até Seclantás, onde habitam os melhores tecelões de ponchos da região, “a 40” é também a Rodovia dos Artesãos Tecelões. Mais adiante, o sinuoso traçado da extensa rodovia leva até Cachi, uma das localidades mais lindas dos Valles Calchaquíes, com suas casonas brancas, suas jazidas arqueológicas, seus campos cultivados e sua gente, amável e hospitaleira. Finalmente, a rodovia continua em direção ao norte e passa por Payogasta e La Poma para abandonar os vales rumo à Puna. É então quando a paisagem muda, se torna mais árida e inóspita, e “a 40” começa a subir até chegar a seu ponto mais alto no Abra do Acay, a 4.895 m.s.n.m. No Estado de Salta, a última parada levará o viageiro até San Antônio de los Cobres. 

Depois, já em território do Estado de Jujuy, a Ruta 40 se adentra na Puna até a fronteira com a Bolívia. Aqui, o caminho –que avança uns 400 km- deslumbra com a presença de picos nevados, vulcões, lagoas, formações geológicas e vicunhas, suris e condores que se mimetizam na paisagem de cardones. Nas Termas de Tuzgle é possível tomar banhos termais para continuar, prévio relax, visitando as localidades de Sey, Posto Sey, Pastos Chicos, Huancar e a Jugueteria. O mesmo caminho levará o viageiro até Susques, localidade que conta com serviços de alojamentos e gastronomia, onde podem ser adquiridas interessantes peças de tecido realizadas com lã de lhama e onde se recomenda, muito especialmente, a visita à igreja: é uma das mais antigas da Argentina (Edificada com adobe no ano 1598, tem teto de madeira de cardón e palha). O percurso chega posteriormente até a localidade de Coranzuli, povoado situado aos pés do cerro homônimo, onde também existem instalações para tomar banhos de águas termais. A seguinte parada poderá realizar-se em Cusi Cusi, onde sobre as rochas vulcânicas se apreciam interessantes formas talhadas pela erosão da água e o vento, para continuar logo até Paicone, San Juan de Oros, Timón Cruz e Santa Catalina. É nesta última localidade onde cada 15 de agosto se realiza a tradicional comemoração da Virgen de las Canchillas, encabeçada pelas bandas de sicuris. A poucos quilômetros da Ruta 40, na localidade oleira de Casira, é possível encontrar as panelas e vasilhas elaboradas em argila vermelha, e com uma técnica ancestral, pelos moradores do lugar. Finalmente, no extremo norte da rodovia, na cidade de fronteira de La Quiaca, é possível percorrer o antigo trem, o mercado municipal, a igreja do Perpetuo Socorro e Laguna Colorada (Um complexo de arte rupestre onde se conservam figuras atribuídas à cultura Chicha 900 -1.460 d.C.)

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